Abel Ferreira encerrou a entrevista após a derrota do Palmeiras sugerindo aos jornalistas presentes um título para resumir a derrota por 2 a 0 para o Corinthians, na Neo Química Arena:
– O Palmeiras pagou por sua falta de eficiência e pelos erros próprios que cometeu.
Ainda que esta seja uma parte do problema, a resposta sobre o momento alviverde fica incompleta levando em conta apenas estes dois pontos.
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Felipe Anderson cabeceia em Corinthians x Palmeiras — Foto: Marcos Ribolli
A seis jogos do fim do Brasileiro, o Palmeiras ainda briga pelo tricampeonato brasileiro, mas vem de dois jogos em que o desempenho deixou a desejar: o empate com o Fortaleza e o revés de segunda.
O ge detalha quais os pontos, além dos citados por Abel Ferreira, para que a equipe agora tenha que esperar um tropeço do Botafogo no clássico desta terça diante do Vasco para não ficar a seis pontos de distância da primeira colocação.
Gols perdidos custam caro
O Palmeiras teve 16 finalizações contra seis do Corinthians no Dérbi da Neo Química Arena, mas apenas seis foram no alvo, contra cinco do adversário, que terminou com o triunfo por 2 a 0.
Flaco López, logo no primeiro minuto, e Felipe Anderson, aos 11, perderam duas chances claríssimas que poderiam ter mudado o rumo do clássico. Quando Garro abriu o placar para os donos da casa, o bom desempenho dos minutos iniciais desapareceu.
Embora ainda seja o melhor ataque do Brasileiro com 53 gols em 32 jogos, o Verdão peca pela eficácia com frequência. Contra o Fortaleza, também, a equipe desperdiçou grandes chances com Raphael Veiga e Estêvão.
Defesa sofre em lances “esquisitos”
Na avaliação de Abel Ferreira, o Palmeiras sofreu com lances “esquisitos” nos últimos dois jogos. Para ele, erros individuais ocasionaram os gols tanto diante do Fortaleza quanto contra o Corinthians.
No Dérbi, Caio Paulista errou o corte, e Aníbal Moreno afundou na área, deixando Garro com muito espaço para finalizar, em lance que assemelha ao primeiro gol do Fortaleza no Allianz Parque.
Já o segundo, de Yuri Alberto, ocorreu a partir de um cálculo errado de Weverton. O goleiros saiu mal do gol e foi antecipado pelo centroavante, sepultando qualquer chance de reação.
São sete gols nos últimos três jogos, e assim o Palmeiras deixou de ser a melhor defesa da competição para o Botafogo – 27 gols sofridos pelo Verdão contra 26 dos cariocas.
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Garro comemora gol do Corinthians contra o Palmeiras — Foto: Marcos Ribolli
Apatia mesmo com mais tempo sem jogos
Nos dois últimos jogos, o Verdão viveu um enredo parecido: quando precisava pressionar nas etapas finais, encontrou poucas saídas ofensivas.
Especialmente na Neo Química Arena, o Palmeiras viu o Corinthians dominar o segundo tempo, inclusive fisicamente. Só que o rival vinha de uma eliminação da Sul-Americana na Argentina, quinta-feira, e o Verdão não entrava em campo desde 26 de novembro.
– Em Dérbi não chega jogar bem, precisa competir, e o Corinthians foi mais viril, agressivo, fez mais faltas e aproveitou nossa falta de foco e concentração nos detalhes nos gols que sofremos – respondeu Abel.
Este é um dos pontos de maior incômodo da torcida e que vai além de decisões individuais em campo. Foram seis dias de preparação para o empate com o Fortaleza e mais nove até visitar o Corinthians.
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Corinthians x Palmeiras, Hugo Souza e André Ramalho — Foto: Marcos Ribolli
Falta de soluções
Além da falta de efetividade, o Palmeiras teve dificuldades para encontrar saídas nos momentos mais decisivos dos dois recentes tropeços.
Neste quesito entram as escolhas de Abel Ferreira. No Dérbi, o técnico colocou Vanderlan, Gabriel Menino, Mauricio, Rony e Dudu. Do quinteto, o camisa 7 foi o que teve mais destaque, e ainda assim em um ritmo distante do que apresentava antes da cirurgia que passou no joelho.
Contra Fortaleza e Corinthians, o técnico optou por trocas que em nomes deixava a equipe mais ofensiva, mas isto não significou um desempenho qualificado no ataque.
Pelo contrário, nos dois casos o Verdão terminou só no abafa, forçando cruzamentos, em sua maioria sem sucesso. E os desfalques já não são mais um problema como em outros momentos do ano: na segunda, só estavam fora Bruno Rodrigues, Piquerez e Lázaro.
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Estêvão caído em lance de Corinthians x Palmeiras — Foto: Marcos Ribolli
Desempenho na hora H
Diferentemente de outros momentos da “era Abel”, o Palmeiras de 2024 convive com muitos altos e baixos em seu desempenho. Mesmo em séries invictas, a equipe não embalou como nos anos anteriores e sente isso em momentos decisivos.
Depois do título paulista diante do Santos, o Verdão sucumbiu ao calendário e lesões logo no começo dos mata-matas da Libertadores e Copa do Brasil para Botafogo e Flamengo, respectivamente.
No Brasileirão, a equipe só tem uma vitória em nove jogos contra os adversários do G-6, e agora escorregou nas duas rodadas em que entrou em campo antes do Botafogo e poderia pressionar o líder.
A seis jogos do fim da temporada, o Palmeiras volta a campo na sexta-feira, quando recebe o Grêmio. Depois, novo intervalo por conta da Data Fifa até as rodadas finais do Brasileirão.
Ainda que os últimos dois jogos tenham desencorajado torcedores na busca pelo título, Abel entende que apesar dos problemas, ainda não é hora de jogar a toalha. Na 36ª rodada ainda haverá o duelo com o Botafogo no Allianz Parque.
– Mesmo sem chegar tanto (nos mata-matas), ganhamos um título (o Paulista). Nossos adversários investiram, o (Ayrton) Senna não ganhou sempre. Ganhamos o que ganhamos, vamos lutar até o fim, sabendo que o Botafogo tem a vantagem toda. Já ano passado competiu até o fim e vamos continuar a fazer nosso melhor para chegar no fim com possibilidades de título – completou.
Fonte: Ge

