O gol de Germán Cano, aos 39 minutos do segundo tempo contra o Fortaleza, já está entre os mais importantes do Fluminense em 2024. Independentemente do que acontecerá nas próximas rodadas do Campeonato Brasileiro, era fundamental que o Tricolor pontuasse nesta sexta-feira — o que aconteceu após o 2 a 2, no Maracanã. O placar poderia ser melhor, mas quase foi muito pior. Pelo desenho da partida e diante da qualidade do adversário, é possível dizer que uma sobrevida foi conquistada.
A matemática diz que 44 pontos é o número ideal para não cair. Desde 2010, nenhum “rebaixado” chegou aos 45, por exemplo. O empate mantém que o Fluminense precise vencer Criciúma e Cuiabá, dentro do Maracanã, para chegar no número esperado. A derrota obrigaria o Tricolor a, além de vencer esses jogos, arrancar um ponto fora de casa contra Athletico ou Palmeiras. Isso na teoria, claro.
Na próxima rodada, caso vença o Criciúma, são grandes as chances de o Fluminense abrir 4 pontos do Z-4 com mais 9 em disputa. É final. Ou vida ou morte.
O empate também faz o Fluminense queimar a última gordura existente — que só foi criada porque os resultados da rodada ajudaram. Mas o relato do que se viu diante do Fortaleza é dividido em dois momentos: o time imaturo, que se perdeu tecnicamente e mentalmente após a primeira falha grave, é digno de rebaixamento; o que iniciou a partida e demonstrou poder de reação na segunda etapa, é capaz de permanecer na primeira divisão.
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Cano comemora gol em Fluminense x Fortaleza, pelo Brasileirão 2024 — Foto: Alexandre Durão
Quem assistiu aos primeiros 20 minutos no Maracanã viu um ótimo Fluminense em campo — por mais contraproducente que isso pareça. Muito por conta da ousadia de Mano Menezes. Ao barrar Bernal e deixar Martinelli e Lima fazendo a dupla de volantes, conseguiu ser mais ofensivo do que nos últimos jogos e, por bons minutos, deixou o Fortaleza “na roda”.
O gol de Lima foi um prêmio por isso. Numa jogadaça de Keno, que emplacou uma boa sequência de dribles e um passe preciso, o volante balançou as redes. Minutos depois, Thiago Silva teve a chance de ampliar. E parecia que o Tricolor seria dominante. Até João Ricardo jogar a bola para fora, pedir atendimento médico e esfriar a partida. A partir deste lance, o jogo virou.
Juan Pablo Vojvoda mexeu taticamente no time. Mudou a sua defesa para uma linha de cinco defensores e o Fortaleza soube aproveitar do excesso de confiança deste Fluminense, que esqueceu que não se pode errar contra o terceiro colocado do Brasileirão. Martinelli errou. Feio. A ponto de ser vaiado durante todo o primeiro tempo. A bobeada armou o contra-ataque do Leão. Lucero cruzou para Moisés empatar.
As vaias foram compatíveis com o quanto o Fluminense esfarelou em campo. Os próprios companheiros evitavam tocar para Martinelli para protegê-lo. Mas ele não foi o único a ter uma noite ruim: Samuel Xavier e Diogo Barbosa foram péssimos no quesito marcação, deixando as costas expostas e criando corredores aproveitados pelo ataque do Fortaleza. A equipe como um todo parecia mais preocupada em não errar do que atacar.
Então, não demorou para virarem presas fáceis. Por 45 minutos, não houve solução que impedisse as transições rápidas do Fortaleza. Lucero saia da área e deixava a defesa perdida. As perseguições individuais a Marinho e Moisés se mostraram um erro, mas eram insistentemente repetidas. Até o gol da virada.
Outra falha individual, desta vez de quem menos se esperava: Thiago Silva. Um bote errado no meio-campo, uma falha na cobertura com direito a um tropeção que deixou Marinho livre para marcar o segundo gol. Lance que sintetiza a bagunça que estava sendo o Fluminense desde a falha grotesca do primeiro gol.
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Mano Menezes em Fluminense x Fortaleza, pelo Brasileirão 2024 — Foto: Alexandre Durão
Já no segundo tempo, o Fluminense pareceu estar a todo momento corrigindo a sua rota. Primeiramente, porque esbarrou em outro problema: ter dificuldade para atacar. A equipe de Mano Menezes se notabiliza por se defender melhor, mas ainda carece de alternativas para atacar. Parece depender de uma bola levantada na área, jogada individual ou bate e rebate. A solução do banco foi trazer Kevin Serna e Germán Cano a campo.
A saída de Lima, porém, deixou o meio-campo do Fluminense ainda mais vulnerável. O Fortaleza fortaleceu o setor e empilhou oportunidades. Nos contra-ataques, Hércules perdeu uma chance clara. Lucero, outra. O Leão sempre pareceu mais perto de fazer o terceiro do que o Fluminense de empatar. Felizmente, Mano Menezes notou isso a tempo e a entrada de Renato Augusto foi sua solução paliativa.
Então, quando tudo caminhava para uma vitória do Fortaleza, Germán Cano surgiu como salvador. Num gol que nasce exatamente do que foi falado anteriormente: uma bela jogada individual de Samuel Xavier, que cruzou na área. Renato Augusto tocou de cabeça e o argentino completou para as redes. Nada ensaiado. Tudo intuitivo. Mas igualmente necessário. O gol da sobrevida que deixa o Fluminense mais vivo na luta contra o rebaixamento.
Com o ponto obtido, o Fluminense chegou a 38, em 15º lugar, um a mais que Criciúma e Bragantino, que abrem a zona de rebaixamento. O Tricolor volta ao Maracanã, na próxima terça-feira, para enfrentar o Criciúma, rival direto na parte de baixo da tabela.
Fonte: Ge

