‘Filho, se salva’, disse mãe de sobrevivente antes de sumir em naufrágio no Encontro das Águas em Manaus

Ferreira Junior

João Henrique, de 17 anos, sobreviveu ao naufrágio da lancha de transporte que afundou na última sexta-feira (13), nas proximidades do Encontro das Águas, em Manaus. O adolescente contou que foi salvo pela própria mãe, Apoliana Almeida, que entregou o colete salva-vidas a ele momentos antes de desaparecer.”Eu estava sem colete. Ela me deu o dela, sendo que eu sei nadar e ela não sabia. Ela ficou segurando em mim, mas o desespero bateu. As últimas palavras dela foram: ‘filho, se salva’. Depois disso, ela sumiu”, contou o adolescente.A lancha de transporte Lima de Abreu XV, da empresa Lima de Abreu Navegações, naufragou na sexta-feira (13) após sair de Manaus com destino a Nova Olinda do Norte. Duas pessoas morreram, sendo uma criança e uma jovem de 22 anos. Sete seguem desaparecidas. Ao todo, 71 pessoas foram resgatadas com vida, segundo os Bombeiros.📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsAppJoão disse que tenta transformar a dor em força enquanto aguarda notícias da mãe.

“Meus pais sempre foram meus melhores amigos. Sempre fizeram tudo por mim. E foi isso que eles fizeram naquele momento: me salvaram”, afirmou.

Sobrevivente de naufrágio no AM diz que mãe deu colete antes de sumir — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Sobrevivente de naufrágio no AM diz que mãe deu colete antes de sumir — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Outro sobrevivente da mesma família é Benjamin. Ele foi colocado dentro de um cooler e protegido até a chegada do socorro. A mãe dele, Dyulia Morais, descreveu os momentos de desespero. “Foi muito difícil. É horrível ver seu filho tomando água, saindo água pelo nariz”, disse.

Apesar de agradecer pela sobrevivência do filho, Dyulia agora vive a angústia da espera. Ela é nora de Romualdo de Almeida, de 80 anos, que está desaparecido junto com a esposa, Apoliana Almeida, mãe de João Henrique.

A família viajava para Nova Olinda do Norte para passar o Carnaval. “Nós estávamos planejando estar todo mundo junto, aí começou a chover e acabei atrasando. A gente atrasou um pouco por causa da chuva”, contou Dyulia.

Antes da saída, Dyulia lembra da última conversa com Apoliana, que demonstrava medo da viagem.

“Quando cheguei, ela disse que tinha colocado o nome nas pulseirinhas para ninguém perder. Depois brincou dizendo: ‘essa tua parceira morre de medo de lancha’. Quando a gente mal saiu, ela começou a gritar”, contou.

Familiares cobram respostas sobre as buscas. “Meu pai e minha madrasta continuam desaparecidos, como outras pessoas. As famílias querem pelo menos informações oficiais”, disse Romualdo Almeida Filho.

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