Ao Abre Aspas, Hulk revela que quase deixou o Atlético-MG por falta de respeito dos árbitros e diz que Libertadores é obsessão

Ferreira Junior

Aos 12 anos, Hulk saiu do bairro José Pinheiro, na Zona Leste de Campina Grande, na Paraíba, em busca de um sonho: se tornar jogador de futebol. Aos 38 anos, o atacante do Atlético-MG completou 20 anos de profissional no última dia 9. Com dezenas de títulos na bagagem, idolatria conquistada no Brasil, Europa e Ásia, ele carrega uma história de superação e afirmação para contar aos cinco filhos.

A maior parte da carreira, Hulk construiu longe do Brasil. Foi para o Japão com 18 anos, passou por Portugal, Rússia e China. Se tornou o único jogador a ter uma estátua no museu do Porto ainda sem ter encerrado a carreira.

Na volta ao Brasil, depois de 16 anos, precisou de apenas uma temporada para levantar três troféus e ajudar a encerrar um jejum de 50 anos do Atlético sem ganhar o Brasileiro. Conquistou a Massa e alcançou a prateleira mais alta dos ídolos do clube mineiro. Os gritos de “Hulk, Hulk, Hulk “, que ecoam em todos os jogos, estão gravados na história do time e na memória coletiva da torcida.

Em entrevista exclusiva ao ge para o Abre Aspas, Hulk revisitou os 20 anos de carreira, deu detalhes sobre sua passagem na Europa, comentou como lidou com o racismo na Rússia, contou bastidores da seleção brasileira no fatídico 7 x 1, analisou a relação com a arbitragem brasileira e a identificação com o Galo, além de revelar que pensou em deixar o clube no fim de 2023.

“Na verdade, eu pensei sim (em sair do Galo). Trouxe até uma proposta para o Rodrigo (Caetano, diretor de futebol). Ninguém sabe disso, não abri para ninguém. Tinha uma proposta da Arábia, mostrei para o Rodrigo e falei: “Quero ir embora, estou cansado disso”.

– O Rodrigo veio e aliviou meu coração. Disse: “a Camila está grávida. Vai nascer sua filha”. Resolvi ficar. É claro que a cabeça quente acabou impulsionando eu falar aquilo. Mas eu tinha proposta sim – concluiu Hulk.

“Me sinto desrespeitado”

Hulk em entrevista para o Abre Aspas do ge — Foto: Reprodução/ ge

Hulk em entrevista para o Abre Aspas do ge — Foto: Reprodução/ ge

Hulk retornou ao Brasil em 2021 após encerrar o contrato na China. Tinha propostas de outros clubes, inclusive da Europa, mas preferiu o Galo. Os filhos e a família tiveram papel importante na decisão. Nos últimos quatros anos, conquistou sete títulos com a camisa alvinegra. Mas foi alvo também de polêmicas com a arbitragem brasileira. Hulk diz se sentir desrespeitado.

“Não uso a palavra perseguição. Eu acho que é falta de respeito. Porque a partir do momento que você fala comigo e eu dou as costas, eu faltei com respeito com você” , explicou o camisa 7.

– Se eu não posso dar as costas para ele, por que ele pode dar as costas para mim? Acho que é essa comunicação. Na Europa não tem isso. Não tem isso porque o árbitro se impõe. Ele conversa e quando tem que dar cartão, ele aplica o cartão. Mas nunca dá as costas. Nunca presenciei isso em Liga dos Campeões. Aqui não tem.

“Estou tendo algum pesadelo”

Hulk era um dos atletas que fizeram parte da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014, no Brasil. O atacante esteve em campo no Mineirão no fatídico 7 a 1 para a Alemanha. O assunto é pouco falado por todos envolvidos naquela partida. Ao ge, o jogador contou bastidores de como foi o intervalo da partida, quando o Brasil já perdia de 5 a 0.

“Estou tendo algum pesadelo”

Hulk era um dos atletas que fizeram parte da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014, no Brasil. O atacante esteve em campo no Mineirão no fatídico 7 a 1 para a Alemanha. O assunto é pouco falado por todos envolvidos naquela partida. Ao ge, o jogador contou bastidores de como foi o intervalo da partida, quando o Brasil já perdia de 5 a 0.

– Sem dúvidas, foi o pior momento, falando na parte futebolística, falando como profissional, o pior dia. Foi difícil. Eu ficava olhando e pensando: ‘Estou tendo algum pesadelo, isso não está acontecendo” – contou o atacante.

“Quando aconteceu dos 5 a 0, no intervalo do jogo, a gente olhava um para o outro, tentando entender o que estava acontecendo. O Felipão até falou: ‘Vamos voltar lá, tentar minimizar ao máximo. É o que a gente pode fazer’. No final da partida, todo mundo chorando, ninguém queria pegar o celular”.

Neymar, Hulk e Oscar Seleção Brasileira — Foto: Getty Images

Neymar, Hulk e Oscar Seleção Brasileira — Foto: Getty Images

Fonte: Ge

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