No intervalo de um mês, muita coisa aconteceu na vida de Guilherme Farias. Aos 20 anos, o atacante revelado pelo Guará, de São Paulo, foi apresentado no início de setembro como reforço do Tadamon Sour, da primeira divisão do Líbano. Em sua estreia, no dia 20, ele brilhou com dois gols, aos 43 e aos 45 do segundo tempo, e garantiu a vitória por 2 a 1 sobre o Reyady Abaseya, fora de casa, na rodada de abertura do Campeonato Libanês.
Mas nem foi possível celebrar a atuação de gala. O Líbano já vivia um momento de tensão devido aos ataques de Israel ao grupo extremista Hezbollah, naquela semana, e a situação se agravou com os fortes bombardeios israelenses à capital Beirute, naquele mesmo dia 20 da estreia de Guilherme no Tadamon. Cidades ao Sul do Líbano, como Tiro, onde o brasileiro vivia, também foram alvo de ataques de Israel.
Os conflitos na região causaram a interrupção do Campeonato Libanês. E a alegria de Guilherme pelo bom começo no novo clube se transformou em preocupação.
– Nos dias seguintes, as notícias sobre a guerra no país pioraram. Ficou muito perigoso ficar onde eu estava, que é no Sul do Líbano, onde estavam tendo muitos ataques.
– Graças a Deus, não teve nenhuma bomba, nenhum risco de vida perto de mim, só a preocupação mesmo, de nunca ter vivido aquilo ou passado por aquela situação. Presenciar aquilo ali foi muito difícil, me deu bastante medo – declarou Guilherme em vídeo enviado ao ge.
Com apoio dos seus empresários e da direção do Tadamon, o jogador nascido no Rio de Janeiro começava uma peregrinação para tentar deixar o país. Esta semana, o jovem atacante pôde, enfim, respirar aliviado ao chegar a Zakho, cidade no Norte do Iraque.
– Os meus empresários, junto com o clube, me levaram para Beirute, onde eu fiquei por três ou quatro dias. Mas, as coisas não melhoraram, e eles resolveram me tirar do país o quanto antes. E logo que eu saí as coisas pioraram mais ainda. Agora é agradecer a Deus e desejar que essa guerra acabe logo. O povo libanês não merece passar por isso – disse o atacante.
O conflito na região já envolve também o Irã, que atacou Israel em apoio ao Líbano. Segundo o governo libanês, mais de duas mil pessoas já morreram desde o início dos ataques. O governo brasileiro decidiu na última segunda-feira iniciar uma operação de resgate dos cidadãos do país que estão no Líbano.
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Guilherme Farias em ação pelo Tadamon Sour, da primeira divisão do Líbano — Foto: Divulgação
No Iraque, o atacante está treinando no Zakho Sport Club, 13º colocado no Campeonato Iraquiano, com dois empates nas duas primeiras rodadas. Segundo o empresário do jogador, Paulo Rocha, começa agora uma negociação para dar a ele condições de defender a nova equipe.
– Ele está treinando e se preparando para disputar os campeonatos pelo clube iraquiano. Sobre a questão de transferência, empréstimo ou outro tipo de negociação, isso ainda vai ser conversado, por ter sido tudo muito rápido. O objetivo principal era garantir a segurança dele. Guilherme permanece no clube, enquanto trabalhamos nos bastidores. Mas vamos acertar a permanência durante uma temporada – afirmou ao ge o empresário do brasileiro.
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Guilherme Farias, atacante brasileiro do Tadamon Sour, da primeira divisão do Líbano — Foto: Divulgação
Único brasileiro no elenco do Tadamon Sour, Guilherme encontrou no Zakho três jogadores do país: o lateral-direito Patrick, o volante Moisés e o atacante Gustavo Henrique. Um apoio a mais no momento de apreensão sobre o futuro.
– Todos me acolheram aqui muito bem, atletas, comissão, funcionários. O clube tem brasileiros também, e isso com certeza ajuda muito. Agora, é dar sequência na carreira, depois desse período complicado. Graças a Deus, pude ter essa nova oportunidade – comentou Guilherme.
Fonte: Ge

