O técnico do Corinthians, Dorival Júnior, defendeu uma restrição à presença de jogadores estrangeiros no futebol brasileiro e usou a Itália como exemplo de que uma maior abertura pode penalizar uma geração e fazer o Brasil pagar “preço altíssimo”.
O regulamento do Campeonato Brasileiro, que tem 131 estrangeiros inscritos na edição de 2026, permite que cada time relacione até nove atletas de fora do país por partida. O Corinthians tem, atualmente, seis jogadores de outras nacionalidades – contando o marroquino Zakaria Labyad, ainda não regularizado.
— Eu também acho que está na hora de intervirmos em relação ao número de estrangeiros em cada equipe brasileira. Nós estamos penalizando uma geração e, futuramente, pagaremos um preço muito alto. Nós não estamos percebendo isso acontecer. A Itália pegou preço altíssimo em duas Copas do Mundo, tendo dificuldade muito grande de classificação nesta terceira — comentou o treinador corintiano em entrevista coletiva após a vitória por 1 a 0 sobre o Athletico-PR pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro.
A Itália não se classificou para os mundiais de 2018, na Rússia, e 2022, no Catar, e ainda disputa a repescagem para ir à edição deste ano nos Estados Unidos, Canadá e México.
A declaração ocorreu em uma pergunta sobre as más condições do gramado artificial da Arena da Baixada, em Curitiba (PR).
— Se está autorizado pela CBF, ponto, nós não temos que ficar discutindo. Que é vantajoso para quem atua dentro do seu campo, é natural. A vantagem é muito grande. O jogo é muito mais rápido, muito diferente de um gramado natural. Esse é um aspecto — contextualizou Dorival, antes de seguir sua resposta.
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Dorival Júnior em Athletico x Corinthians — Foto: Luis Garcia/AGIF
— Em boa parte da Europa já não se permite isso, e nós tínhamos que levar isso em consideração. Estamos sempre na contramão do que vem acontecendo lá fora. Nós temos que estar conscientes daquilo que estamos proporcionando aos nossos profissionais. O Athletico já tem esse campo há um bom tempo. Todos nós sabemos. Eu mesmo já estive a favor da Athletico e sei da vantagem que nós levamos em muitas partidas em razão do desconhecimento do adversário, sabemos como tirar proveito de uma situação como esta.
Dorival reforçou as críticas de Garro, que após a partida citou que o gramado sintético “atenta contra o corpo”. Antes, Neymar e os jogadores do Santos já haviam reclamado da Arena da Baixada, na derrota do Peixe contra o Athletico pelo Brasileirão.
— O que eu acho é uma atitude que deveria partir, naturalmente, de quem comanda o futebol — pontuou o treinador, que comandou a seleção brasileira de janeiro de 2024 a março de 2025.
— Para vocês verem que são dois fatores que, para mim, conflitam muito com aquilo que nós sempre fizemos. Revelarmos atletas e termos gramados em condições, por sermos um país tropical. É impossível que isso não aconteça. Na Europa, são 50 dias do ano sem ver sol, e os gramados lá são perfeitos. Não é possível que não possamos atingir um momento como este dentro do nosso país, independente do estado em que estivermos.
Depois da vitória sobre o Athletico-PR, o Corinthians agora se prepara para enfrentar a Portuguesa pelas quartas de final do Campeonato Paulista, em jogo único a ser disputado no Canindé, no próximo domingo, às 20h30 (de Brasília).
Fonte: Ge
