Filipe Luís surpreende com tática de “resta um” na saída de bola que decidiu para o Flamengo

Ferreira Junior

No popular jogo do resta um, basta um movimento para fazer uma peça “pular” sobre a outra. Vence quem deixa apenas uma bolinha no jogo. Não é exagero dizer que Filipe Luís transformou o primeiro jogo da final da Copa do Brasil, vencido pelo Flamengo por 3 a 1, num “resta um” decidido pelos protagonistas mais queridos desde 2019.

É verdade que o gol de Alan Kardec, já no fim do jogo, acende as esperanças e o Galo jamais deve ser duvidado. Só que a atuação do Flamengo foi de gala. Do minuto inicial, ficou claro o domínio e a imposição ofensiva da equipe, especialmente no trabalho de saída de bola para Arrascaeta e Gabigol decidirem lá na frente.

Os esquemas das equipes

  • O Flamengo jogou no 4-2-3-1 que Filipe Luís coloca em seu começo do trabalho. Gabigol foi o centroavante, com Plata, Arrascaeta e Michael na linha de três meias. Atrás, Evertton Araújo e Gérson formaram a dupla de volantes com a já conhecida defesa.
  • Gabriel Milito surpreendeu e mandou o Galo num 4-4-2, ao invés do 5-2-3 da Libertadores. Hulk e Paulinho formaram uma dupla. Arana (esquerda) e Scarpa (direita) fizeram o papel de meias pelos lados, com Alan Franco e Otávio no meio. Rubens foi o lateral, e Lyanco jogou como lateral direito.

A tática “resta um” na saída de bola do Flamengo

A saída de bola do Flamengo foi curta. Começava pelos pés de Rossi, que iniciava as trocas de passe pelo chão. Ortiz e Léo Pereira abriam na área para dar uma opção de passe, e Gérson e Araújo buscavam jogar por dentro, bem colados. Os laterais também não avançavam: ficavam próximos.

Filipe desenhou essa saída para atrair a marcação do Galo para o campo do Flamengo. Ortiz e Léo Pereira chamavam Hulk e Paulinho para marcarem e conseguiam sair com passes rápidos, já que os dois são zagueiros com grande capacidade de jogar ofensivamente. Gerson e Araujo tinham a missão de tirar Otávio e Franco lá de trás, abrindo espaços na defesa.

Saída de bola do Flamengo atraía a pressão do Galo — Foto: Reprodução

Saída de bola do Flamengo atraía a pressão do Galo — Foto: Reprodução

E aí que começa o jogo de “resta um”: o Galo não sabia se deveria marcar todo mundo ao mesmo tempo, ou se escolhia marcar apenas os zagueiros. Com isso, sobrava sempre um jogador do Flamengo livre para receber a bola e acionar o ataque. A imagem abaixo é um exemplo: Paulinho pressiona Rossi. Hulk e Alan Franco sobem. Quem sobra? Ortiz e Pereira, que não têm nenhuma marcação e muito espaço para jogar.

Galo não sabe quem deve marcar e Ortiz sobra — Foto: Reprodução

Galo não sabe quem deve marcar e Ortiz sobra — Foto: Reprodução

Os dois gols saíram de movimentos na saída de bola

A movimentaçao do Fla ficou evidente logo nos minutos iniciais. E não mudou após o primeiro, nem o segundo gol. Ela se manteve a toda hora e foi responsável por produzir várias jogadas para o setor ofensivo, que tinha espaço para se movimentar e finalizar.

O primeiro gol é um ótimo exemplo. Tudo começa numa saída curta: Rossi pega a bola, toca para os zagueiros e Gérson participa. O Atlético se toca de que precisa marcar alguém, e Paulinho decide subir a marcação em Gérson. O volante, que teve atuação fenomenal, vê a pressão e rapidamente toca de volta para Ortiz, que estava livre.

Saída de bola do Flamengo: Galo começa a subir a marcação — Foto: Reprodução

Saída de bola do Flamengo: Galo começa a subir a marcação — Foto: Reprodução

Ortiz recebe a bola, e Paulinho decide marcá-lo. Só que o Galo já começa a subir a marcação de forma mais ampla: Scarpa aparece marcando Alex Sandro, e pior: Otávio, teoricamente o primeiro volante, sobe até o campo de ataque para marcar Plata.

Mas lembra que a tática é de “resta um”? Todos esses movimentos do Galo foram em vão…porque Gérson está totalmente livre em campo. Ortiz exerce a grande capacidade de passe e toca rápido para Gerson.

Quanto mais o Atlético ia para a frente, mais abria espaço lá atrás. A estratégia de Filipe deu certo porque Arrascaeta, Michel e Gabigol não vinham buscar a bola. Esperavam a bola chegar até eles, no espaço criado pela saída de bola lá atrás.

Prova disso é o movimento de dois jogadores: Junior Alonso vê Gérson livre e sai correndo para marcá-lo. Estamos falando de um zagueiro quase no campo de ataque. Só que Arana também vê Gérson livre e resolve largar Wesley para marcar o volante.

Prova disso é o movimento de dois jogadores: Junior Alonso vê Gérson livre e sai correndo para marcá-lo. Estamos falando de um zagueiro quase no campo de ataque. Só que Arana também vê Gérson livre e resolve largar Wesley para marcar o volante.

Arana troca de marcação e dá espaço para Wesley — Foto: Reprodução

Arana troca de marcação e dá espaço para Wesley — Foto: Reprodução

Se dois vão em um….vai restar um. Wesley. Que sobra livre, livre para correr e levar a bola em direção ao ataque.

Veja como o campo do Galo está aberto para a correria e o talento de Arrascaeta e Gabigol. Não deu outra: a jogada chega na área e é gol.

Wesley resta e leva a bola sozinho ao ataque — Foto: Reprodução

Wesley resta e leva a bola sozinho ao ataque — Foto: Reprodução

O lance do segundo gol, marcado pela discussão entre Filipe Luís e Gabigol, é produzido pela mesma jogada. Antes da bola ser reposta em campo, o Flamengo atrai a marcação do Galo e Ortiz dá um passe – só que dessa vez um passe longo – para o campo de ataque.

O segundo tempo começou com o Galo mais em cima, mas já era tarde demais. Filipe fez trocas e conseguiu manter o domínio do jogo contra um adversário cansado da viagem para a Argentina e sem estar em seu melhor dia. Deu tempo de Gabigol mostrar a estrela em final e ampliar a vantagem que Alan Kardec, em falha de Ortiz, diminuiu.

Em busca do pentacampeonato da Copa do Brasil, o Flamengo decide o título da competição no próximo domingo, às 16h (de Brasília), na Arena MRV, podendo até perder por um gol de diferença para se sagrar campeão.

Antes, o Rubro-Negro vai a Belo Horizonte na quarta-feira para enfrentar o Cruzeiro, às 21h (de Brasília) no Independência, pelo Campeonato Brasileiro.

Fonte: Ge

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